Vivendo como um minimalista – uma filosofia de vida

Vivendo como um minimalista – uma filosofia de vida

 

Você já parou para refletir o quanto tem gastado energia ao longo dos anos apenas com o propósito de acumular o que não precisa? Tralhas, roupas, sentimentos, emoções…

Somos capazes de passar nossas vidas inteiras em busca da felicidade, sem perceber que não é nos objetos, no material, que ela se encontra.

Gastamos nossa energia desejando um carro novo, e quando conseguimos comprá-lo, depois de pouco tempo já estamos desejando outro, pois aquele objeto não era o que nos fazia realmente feliz.

E assim vamos transferindo nosso contentamento sempre para algum objeto, alguma situação, e adiamos cada vez mais nossa felicidade, deixando-a para o futuro.

Quem nunca pensou “só serei feliz quando …”? E por que não ser feliz agora?

O minimalismo

Você já ouviu falar de minimalismo? Como estilo de vida, minimalismo nada mais é do que o princípio de reduzir ao mínimo o emprego de elementos ou recursos no nosso cotidiano. É reduzir o consumo excessivo.

Trata-se de escolher ser livre das pressões do consumismo compulsivo e do materialismo desenfreado da sociedade moderna, e o primeiro passo para isso é entrar nesse estado de espírito para só então começar a descartar as coisas de que não precisa.

Talvez você descubra que pode viver com menos móveis, talvez chegue à conclusão de que é melhor viver em uma casa menor e até abra mão de ter um carro. O minimalismo não tem regras, ele é flexível e é você quem decide o que manter e do que se desfazer, de acordo com a sua situação pessoal.

Se adaptando ao minimalismo

Assim como editamos um texto ou um vídeo para sintetizar uma ideia de forma mais precisa, você precisa entender o que é essencial e o que não é. E aplicar isso a outros elementos da vida.

Não posso dizer que isso é uma coisa abrupta, muito pelo contrário. Esse é um processo gradativo (e que nunca acaba), mas que reflete em tantas outras coisas da vida que só vivendo isso, vemos o quanto é benéfico.

Em resumo, escolher melhor como consumir roupas, alimentos e até o tipo de pessoas a manter na sua vida e no círculo social vai ser mais fácil.

Isso significa deixar de consumir?

De maneira nenhuma. Mas você passa a minimizar as coisas e maximizar as experiências. Investir seu dinheiro em coisas que tragam experiência de vida e satisfação pessoal e menos em produtos. Ter menos para viver mais.

Entrando no espirito

1- Reflita sobre os benefícios de uma vida minimalista. o minimalismo faz parte da consciência plena. Livrar-se de coisas desnecessárias é uma maneira de escapar do materialismo, consumismo e abstração da vida cotidiana. Pense sobre os aspectos positivos desse estilo de vida e não tenha dó de se desfazer de coisas que não usa, mas se preocupe com o destino delas. Procure fazer algo positivo com isso. Transforme o apego em boas ações.

2- Não se comprometa tanto socialmente. Uma vida social muito agitada não tem lugar dentro do minimalismo; a ideia é ter espaço, tranquilidade e focar em aspectos mais importantes da vida. Dê o primeiro passo e abra mão dos relacionamentos tóxicos, prefira as pessoas que se esforçam para contribuir positivamente em sua vida. Você não é obrigado a manter amizades prejudiciais.

3- Reduza sua atividade em redes sociais. Escolha suas preferidas para continuar interagindo e livre-se das menos importantes. Como parte de uma iniciativa minimalista, este passo fará com que você receba menos notificações durante o dia, que podem atrapalhar bastante. Se você não tem certeza se está pronto para isso, desligue as notificações e verifique as atualizações somente em seu tempo livre.

Dê uma atenção para as coisas virtuais que acabou acumulando. Nem todos os filmes que você tem no seu HD você vai ver mais de uma vez. Nem todas as músicas que você baixou na adolescência merecem ocupar tanto espaço. E aquelas fotos com aquela pessoa que você namorou há tanto tempo? Precisa delas?

4- Faça uma lista das coisas que não usa mais e dê fim nelas. Ande pela sua casa anotando tudo que você e sua família nunca usam, mas que podem ter muita gente interessada, não guarde coisas que não sejam mais compatíveis com a pessoa que você é hoje por simples apego ao que elas te remetem, lembranças ficam muito bem onde elas pertencem: na memória. Reflita se usará essas coisas nos próximos três ou seis meses e, se a resposta for negativa, livre-se delas.

5- Limpe seu armário. Vasculhe as gavetas e cabides e tire tudo que não serve mais, itens velhos, desgastados ou que você simplesmente não use. Comece pelas roupas, continue com os sapatos, botas, casacos e acessórios. Separe tudo que pode ser reaproveitado por outras pessoas e doe para uma instituição de caridade. Coisas estragadas, furadas, manchadas, etc. devem ser jogadas no lixo e materiais recicláveis (como resto de materiais de artesanato) podem ser guardados para uso posterior ou doados também.

Procure não ser tão radical a princípio. Além do fato de que tudo o que é muito radical não é muito bacana, o processo de adaptação é gradativo e você não sabe como vai reagir a tudo isso. Lembre-se que lidar com apego é lidar com emoções. Faça essa “limpeza” sozinho. Por mais que as pessoas queiram ajudar, a gente acaba sendo influenciado por sentimentos que não são nossos e acabamos nos distraindo.

6 – Dê fim na mobília desnecessária. Remover móveis que não têm importância ou utilidade para a sua casa é uma ótima medida para embarcar no minimalismo. Será que você não tem uma mesa de cabeceira que só serve para juntar roupas sujas e papelada? Do mesmo modo, uma cristaleira e seus badulaques não têm propósito na vida de um minimalista; tudo que elas fazem é ocupar espaço e chamar a atenção por cinco minutos. Tem certeza de que vale a pena ter um móvel e peças a mais para limpar por esse “benefício“? Venda ou doe esses móveis e ganhe espaço para você!

Tenha metas não-materiais para destinar seu dinheiro. Viagens, experiências diferentes, lugares para conhecer. Faça lista das coisas que você sempre quis fazer e não fez até hoje. Troque coisas por sensações.

7 – Pense em viver em uma casa menor. Na mesma linha de raciocínio, é uma boa ideia encontrar um lugar menor para morar. Nossa cultura nos ensina a cobiçar casas suntuosas e gigantescas, mas uma casa ou apartamento pequeno pode oferecer vantagens incríveis, como:

  • Contas mais baratas e menos incerteza financeira.

  • Menos trabalho para cuidar da casa.

  • Maior facilidade para vendê-la, se você quiser.

  • Menos espaço para desperdiçar com coisas inúteis.

Leve o minimalismo para fora da sua casa. Além de muito prazeroso morar em um ambiente clean, tranquilo e menos poluído, usar disso no seu ambiente de trabalho pode aumentar sua disposição e criatividade e evita distrações.

8 -Leia muito! Pesquise sobre o tema. Para quem precisa organizar a casa e a vida, é ótimo começar pelo livro “A Mágica da Arrumação”, da Marie Kondo, que é uma leitura super leve e boa para quem acaba de se interessar pelo assunto (mas pense em alternativas como pegar emprestado de alguém ou baixar, isso já é uma forma de reduzir o consumo!).

Pesquise de onde vêm as coisas que você compra. Sejam alimentos,  roupas ou cosméticos. Dê prioridade para comprar de pessoas que produzem, assim você pode evitar estar compactuando com trabalho escravo, testes em animais e, de quebra, empoderar mais pessoas e menos corporações.

9- Considere abandonar o carro. Não é necessário viver sem um para ser um minimalista, mas isso certamente contribui para esse estilo de vida. Carros custam muito (pense em pagar gasolina, IPVA, seguro, estacionamento, reparos e manutenção, etc.), demandam energia para resolver diversos tipos de problema, requerem CNH (mais dinheiro e tempo), dependem de vagas para estacionar, são visados por ladrões, etc. É claro que um carro é necessário em diversas situações, como famílias com crianças ou que vivem em lugares sem acesso ao transporte público e afins, mas ainda assim é possível optar por usá-lo apenas quando necessário. No resto do tempo, é preferível contar com o transporte público, uma bicicleta, táxi, Uber e, por que não dizer, suas pernas.

Não acumule problemas e funções. É sempre bom definir as coisas que somos capazes de fazer sem tornar nosso dia-a-dia maçante ou viver com a sensação de estar sobrecarregado. É okay não conseguir cumprir todas as muitas funções que a gente acaba se comprometendo. Use disso para se organizar melhor no futuro e tornar a vida mais leve.

10 – E por último: Não tente convencer todas as pessoas que o seu estilo de vida é o ideal. A gente sempre vai ter aquela tia-avó acumuladora que acha que isso é maluquice, mas procure entender que ela é de uma outra época, onde as coisas eram mais difíceis de serem conquistadas e isso gera, sim, um apego. Cada um vive da maneira que sente melhor.

Tire um tempo sempre que possível para reavaliar a importância das coisas na sua vida. Seja com a mão na massa ou seja refletindo. Reflexão é o melhor caminho para o equilíbrio mente + corpo + alma.

Jordânia Wurdige, uma menina de 21 anos, apaixonada por livros, musicas, boas risadas e viagens inspiradoras. Acredito no processo de auto conhecimento que é a vida. Indo sempre em busca da realização pessoal para deixar cada vez mais leve a caminhada. Que meus textos possam servir de inspiração e instigar o melhor em cada um de vocês.

Jordânia Wurdige

Uma menina de 21 anos, apaixonada por livros, musicas, boas risadas e viagens inspiradoras. Acredito no processo de auto conhecimento que é a vida. Indo sempre em busca da realização pessoal para deixar cada vez mais leve a caminhada.